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Última atualização: 05/11/2012

A fisioterapeuta Ana Paula Oliveira Santos, coordenadora do Comitê de Fisioterapia da ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), fala sobre a atuação da fisioterapia em pacientes em TMO.

Fisioterapia para pacientes em Transplante de Medula Óssea ( TMO)

Fisioterapia para pacientes em Transplante de Medula Óssea ( TMO)
Oncofisio: Como você vê a atuação da fisioterapia no âmbito da oncologia?

Dra Ana Paula: Acredito que com a quebra do paradigma câncer x morte, a fisioterapia oncológica tem cada vez mais demonstrando sua importância na área, com os avanços técnico- científicos o tempo de sobrevida do pacientes com câncer tem aumentado e a necessidade de um profissional capacitado para o manejo das sequelas advindas do próprio tratamento (cirurgia, quimioterapia e radioterapia) tem permitido que o fisioterapeuta especialista em oncologia alcance seu espaço dentro da equipe multiprofissional.

O fisioterapeuta que trabalha com oncologia, dentro desse universo de medos e incertezas, deve tirar o foco da doença e voltar o paciente para sua independência funcional e qualidade de vida. Nessa área temos a liberdade de atuar em todas as fases do tratamento, desde o diagnóstico até o momento em que não há possibilidade de cura (cuidados paliativos) podemos atuar garantindo o conforto aos nossos pacientes.

Oncofisio: O que é o transplante de medula óssea (TMO)?
 
Dra Ana Paula: É uma modalidade terapêutica que consiste na infusão intravenosa de células progenitoras hematopoéticas normais para substituição de células doentes, com o objetivo de restabelecer a função da medula danificada. Essas células "mãe" podem ser obtidas do próprio pacientes (transplante autogênico), de um irmão gêmeo idêntico (transplante singênico) ou de um doador compatível que seja familiar ou não (transplante alogênico). O TMO é um termo genérico que vem sendo substituído por Transplante de Células Progenitoras Hematopoéticas (TCPH), já que atualmente o transplante pode ser realizado além da medula óssea, com sangue periférico ou pelo cordão umbilical.

Oncofisio: Quais são os cuidados que deve-se ter em relação à prescrição e execução de exercícios para pacientes no processo de TMO?

Dra Ana Paula: É fundamental o acompanhamento de exames complementares, principalmente o hemograma de rotina, pois a baixa contagem de células no sangue é um efeito frequente nos pacientes pós-TMO e as sessões de fisioterapia devem ser baseadas de acordo com cada tipo e nível de célula diminuída, acredito que o profissional deve estar igualmente atento ao processo de fadiga oncológica e existência de comprometimento ósseo, para indicação da atividade mais apropriada.

Oncofisio: O que é fadiga oncológica?

Dra Ana Paula: A fadiga oncológica é um sintoma subjetivo de cansaço extremo que pode ou não melhorar com o repouso, é de difícil manejo por ser multifatorial envolvendo aspectos físicos, psicológicos e cognitivos. Está bastante presente entre os pacientes em TMO, o que também se confirma na literatura, estando a fadiga entre a experiência mais prevalente em pacientes com câncer (76 a 95% dos casos).

Oncofisio: Qual o tratamento para fadiga oncológica?

Dra Ana Paula: O tratamento pode incluir informações de cunho educativo, intervenções farmacológicas e/ou não farmacológicas, fisioterapia oncológica com enfoque na conservação de energia (planejamento de atividades e programação de tempo de repouso) e promoção de exercícios físicos individualizados (caminhada, relaxamento, alongamento etc). Estudos tem demonstrado que exercícios aeróbicos são eficazes na abordagem da fadiga oncológica, mas sempre opto por indica-los de acordo com o estado geral do paciente.
 
Oncofisio: Quais seriam os efeitos adversos provocados pela inatividade ou repouso prolongado no leito? E como podem ser prevenidos ou atenuados através da intervenção fisioterapêutica?

Dra Ana Paula: Redução da capacidade/independência funcional, fraqueza muscular, descondicionamento físico, contraturas, dor e impacto sobre o sistema cardiorespiratório são alguns dos malefícios que o paciente durante a TMO está sujeito devido a necessidade de longos períodos de isolamento protetor e a toxicidade por quimioterápicos. A fisioterapia nessa fase pode ajudar por meio de intervenção precoce, através de um arsenal de técnicas para prevenção das complicações oriundas do imobilismo de acordo com as condições e necessidades de cada paciente.

Oncofisio: Existem alguns efeitos tardios da TMO como complicações respiratórias e músculo-esqueléticas. Quais são eles e como a fisioterapia pode ajudar nesses casos?

Dra Ana Paula: Sim. As complicações tardias podem ser divididas em: relacionadas ao processo de transplante e relacionadas ao regime de condicionamento (fase de imunossupressão induzida para erradicar a doença residual e promover a “pega” das células saudáveis).
Entre as complicações que a fisioterapia pode atuar de maneira mais efetiva estão as disfunções pulmonares secundárias à radioterapia e quimioterapia, doença do enxerto versus hospedeiro e os atrasos de desenvolvimento motor. Atuamos por meio da cinesioterapia (exercícios) respiratória e estimulação psicomotora.


Ana Paula Oliveira Santos
Crefito 133710- F
Especialista em Reabilitação Física, pela AACD.
Especialista em Fisioterapia Hospitalar e Oncológica, pelo Hospital do Câncer AC Camargo.
Coordenadora do Comitê de Fisioterapia da ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia).
Fisioterapeuta onco-funcional do Hospital do Servidor Estadual/SP (HSPE).


 
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